Com vossa licença pelo trocadilho horrível do título, mas nossa política está podre. Recentemente um amigo nosso escreveu um ótimo texto sobre como anda a democracia aqui pelas terras tupiniquins, e sim, o deboche tá em alta por aqui, meus amigos. O povo simplesmente está entorpecido e não acorda para ver o que aconteceu com nossa democracia, e Aristóteles, depois Rousseau, há um bocado de anos atrás já sabiam: se tornou Demagogia, forma impura, corrompida. Na realidade, na concepção de Aristóteles, o próprio termo "Democracia" significa a forma corrompida de governo para o que traduzido mais aproximadamente do grego significaria algo como "Constituição". A democracia podre nada mais é quando ela se torna este curral de paternalismos, esse populismo tacanha e descarado, essa falta de seriedade e de interesse pelo bem público, se tornando até mesmo uma espécie de "oligarquia de partido" (e. g. que irá se concretizar mais ainda caso a Dilma ganhe) e egocentrismo/egoísmo/gânacia do próprio mandatário, que então passa a se ver e se considerar como o soberano máximo acima da Lei e do Direito (e. g. ser condenado à suscessivas multas e não pagá-las; se aproveitar da máquina pública para promover seu candidato sucessor; ignorar a opinião pública e manipular massas).
Na minha humilde opinião, duas coisas deveriam ser severamente revisadas no sistema eleitoral deste país. Deixe-me expressar toda a minha utopia:
1. Das Pesquisas
Pesquisas de intenção de voto acabam sempre por se tornar tendenciosas e parciais, seja direta ou indiretamente. Elas estimulam e induzem muitos eleitores, mexem com o moral dos candidatos, desequilibram a disputa que deveria ser igual e justa. E isso tudo só se intensifica quando elas são tantas, provenientes de tantas fontes, como ocorre aqui: tem Ipobe, Datafolha, VoxPopuli, muitas outras, fora as que são assumidamente tendenciosas, como as promovidas pelos próprios partidos. Acontece que é sabido que muitas dessas principais pesquisas neutras mais famosas (e. g. as três que eu citei) já tiveram casos de fraude ou já foram instáveis. Pra mim qualquer pesquisa deste tipo se assemelha às previsões do tempo: quase nunca acerta em cheio!
Já que estamos na era das comunicações, da informática, da adesão cada vez mais forte à internet, nada mais justo que criar um site para cada cargo a ser disputado naquele ano de eleições, e neste site todos os candidatos se inscrevem e os eleitores se cadastram e aplicam as intenções de voto no seus respectivos candidatos. Com o tempo, esta, na condição de única e neutra pesquisa, iria contabilizando todas as intenções de votos arquivadas lá e como o acesso é público, o próprio eleitor pode acessar o site e ver como anda o desempenho de seu candidato. Seria muito mais justo e muito mais limpo. Quanto ao site, este deveria ser bem simples, não ser muito pesado, com uma interface limpa, e sem muitas "linkagens", no máximo cada candidato deveria linkar para sua própria ficha/currículo, a ser aberta de preferência na própria página (e.g. quando se amplia fotos de album de orkut pra ver em slide; quando se amplia fotos no flickr). Simples assim.
2. Dos Candidatos
Devia existir pré-requisitos básicos para se formalizar uma candidatura. Deixe a política para os homens de política. Para alguém que sabe administrar, que saiba as leis e o direito, que entenda a sociedade, que entenda o ser humano, que entenda a filosofia, enfim, que não apenas saiba "ler e escrever" (né Maguila? Né Mulher Pêra?) ou que vá fazer palhaçada no horário eleitoral e contar com os votos aproveitando-se de sua popularidade, em detrimento de sua intelectualidade ou ideias utéis à gestão do cargo (né Tiririca? Né Netinho? Né Marcelinho Carioca?). Não é preconceito da minha parte, não vejo isso como preconceito, mas em primeiro lugar, o candidato deveria ter no mínimo o Ensino Médio completo. Depois, abusando um pouco mais da boa vontade da justiça eleitoral brasileira, o candidato deveria ter mesmo é um Ensino Superior completo, e ainda assim com certas restrições a certos cursos, afinal, sinceramente eu não sei o que alguém formado em Moda pode querer fazer lá no congresso, dúvido até que quem se forme em certos cursos tenha algum interesse por política ou vontade de se candidatar um dia (e. g. design, publicidade e propaganda, artes cênicas, a maioria dos cursos de exatas, entre outros). Não vou listar aqui os cursos que acho que deveriam ser requeridos, mas alguns obviamente são indispensáveis para uma boa operação da democracia e da política: Direito, Administração, Filosofia, Ciências Sociais, Psicologia, História, Gestão de Políticas Públicas. Só para citar alguns exemplos e de maneira superficial, mas é possível se aprofundar direitinho na busca por uma listagem completa de cursos úteis à administração pública.
2. 1. Formas de Divulgação
Falando sério: quem realmente acha que ficar enxendo o saco mais de 2 vezes por dia no rádio e na TV (literalmente estragando e interrompendo a nossa programação habitual) e/ou nas ruas com carros de som horrendos, infernais e extremamente chatos (poluindo o meu ambiente sonoro e estragando a música que eu esteja ouvindo em casa ou no meu carro parado num sinal ao lado de um maldito desses) é um ótimo angariador de votos? Aqui eu sou radical e acho que deveriam exterminar tudo mesmo essas formas estúpidas de divulgação, reduzindo para um horário específico no dia para transmissão em rádio e TV (UM HORÁRIO. SÓ) e de quebra acabar com essa palhaçada de falar o que quiser no seu tempo de programa: cada candidato devia ser obrigado a falar de seu plano de governo, suas ideias ou sua opinião acerca do cargo para o qual ele está disputando, enfim, qualquer coisa menos ficar dançando, fazendo circo, musiquinha, falando abobrinha, apenas pedir/mendigar voto. E para que isso dê certo, é óbvio que o tempo de cada candidato e cada partido precisaria ser outro ponto revisado. Correto e justo seria se cada candidato obtivesse o mesmo tempo para seu programa, só mudando a duração de cargo pra cargo mesmo, sem essa história de um partido e um candidato terem mais tempo que outro na TV.
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[Continua no post nº2 de mesmo nome]
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