Neste espaço quero mostrar pra vocês não só clássicos da música (como é feito no "Batlazar by Nights") mas músicas atuais também. O critério aqui é mostrar músicas underground, músicas tão novas que nem fizeram fama, músicas legais que já fizeram sucesso em algum lugar do passado recente, one hit wonders, enfim, todas essas músicas e bandas que são legais (na opinião dos autores deste blog), mas não fazem grande sucesso, ou seja, música que "não é, mas devia ser" famosa.
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Bom, como conheci a banda? Em mais uma daquelas tacadas aleatórias que a gente dá no rádio do carro, num desses dias sintonizo na "MitsubishiFM" (92,5) ou na "107FM" (107,3), não me lembro direito, e ouço uma música, que de início me pareceu um pop rock inédito, ouvi um guitarrinha tranquila, uma voz bacana, e deixei pra ver até onde chegava. Ok. Em alguns momentos a voz me lembrou a de Fernando Anitelli, do "O Teatro Mágico", mas não, não poderia ser que o Teatro mudara tanto de estilo. Aí então foi quando veio aquele início de sentimento de guilty pleasure, pois pensei: será que eu estaria curtindo uma música do projeto paralelo de Lucas, vocal do Fresno? (afinal a voz lembrava um pouco também). E o que só corroborou este meu temor, foi a letra, que falava em "te ter", "preciso aprender a viver sem você", "anjo", que a priori lembra esses clichês bobocas de música mezzo-emo, mezzo-rock, que temos atualmente. Mas como ditam os cinco "estágios da morte", depois de todo o medo, comecei a aceitar a hipótese, afinal o tal Lucas estaria se purificando com a boa música e um rock mais pesadinho (porque nesse momento eu já estava surpreso, afinal da guitarra tranquilinha agora tinha saído um solo insano de hard rock...) e a letra, supostamente boba, daria pra ignorar em prol da boa sonoridade. Supostamente, por quê? Porque descobri que a letra fala dessas coisas não é por bobeirinha, ela foi dedicada à noiva do vocalista da banda, que faleceu de leucemia há alguns anos. Tá vendo como o contexto muda todo o sentido da coisa? E a melhor parte: todo o processo de aceitação foi, graças a Deus, em vão, pois a banda não se tratava nem de Lucas, muito menos de Teatro Mágico, ela era sim uma boa banda de hard rock, e da safra oitentista paulistana, ou seja, além de ser uma banda daqui de sampa, é das antigas, mas nem tanto, e faz o que pouquíssimas bandas brasileiras conseguem fazer: um bom e velho hard rock, e que seja cantado em português!
O vocal é conhecido como China Lee, e o cara tem uma baita voz, que ele consegue ligar uma distorção na garganta em alguns momentos que é de dar inveja. Combina totalmente com o hard rock. Uma vitória para a música brasileira. A banda se chama "Salário Mínimo", e pra explicar sobre o que se trata eu deixo as palavras do site Stay Rock [tem CD no link hein... ouvi dizer...]: "Depois de gravar a coletânea SP METAL I em 1984 (18.000 cópias vendidas) e BEIJO FATAL de 1987 (78.000 cópias vendidas), o quinteto está de volta com força máxima!!! Considerado por público e crítica como o melhor line-up que o SALARIO já teve, CHINA LEE (vocais) e JUNIOR MUZILLI (guitarra) da formação original, tem agora a companhia de DANIEL BERETTA (guitarra), DIEGO LESSA (baixo) e MARCELO LADWIG (bateria). O disco consolida a banda no cenário rock brazuca. Temas atuais, pegada rock, marca registrada da banda, aliada a produção impecável a cargo de HENRIQUE “BABBOM” e seu estúdio AUDIOPLACE tornam esse trabalho imprescindível para quem ama o bom e velho estilo. SIMPLESMENTE ROCK [nome do álbum] procura mostrar que a banda não se prende a rótulos. O SALÁRIO tem seu estilo próprio, inconfundível. Desde que a levada seja rock, navegam com muita competência em suas diversas vertentes. O Disco abre com a poderosa EU NÃO QUERO QUERER MAIS, um rock vigoroso, direto. Segue com SOFRER, outro petardo. HOMENS COM PEDIGRÉE é a música de protesto, a mais politizada do álbum. Enigmática e com ótimo “groove”, SOB SEUS PÉS mostra a “nova cara” da banda. ANJO é a balada rock e grande aposta para abertura de portas. 2.000 ANOS traz uma incrível sonoridade, e letra cheia de indagações. VOYEUR é outra balada que promete muito. NO SEU MUNDO é um hard rock 80 com um instrumental bem elaborado lembrando a grande banda Van Halen, mostra outra “face” do grupo. DELÍRIO ESTELAR (regravação com nova roupagem de uma música que fez parte da coletânea SP METAL I) e a ótima AO MENOS EM SONHO, outra balada rock fecham o disco com chave de ouro."
Entendem, amiguinhos? Uma banda dos anos oitenta, voltando com toda essa força, essa porrada, essa carga rock'n'roll? Isso me deixa feliz, me faz ver que o rock não morreu ainda em outros locais que não o Sul do país, só está suprimido, escondido, jogado no submundo, pela hegemonia Colorida e do Sertanejo Universiotário... mas neste disco a banda volta para atender os chamados de emergência dos desesperados (como eu) que veem o rock indo pro limbo. E atende muito bem.
A música da qual falava pra vocês:
E a história da música (peguei na própria descrição do vídeo no youtube):
Esta música estará no novo disco da Banda Salário Mínimo, ela foi composta por Ricardo Michaelis (Micka) e China Lee, essa musica foi composta em homenagem a Noiva do China Lee (Vocalista da banda) que infelizmente veio a falecer de Leucemia há alguns anos atrás , ao saber da noticia Micka fez essa musica e entregou ao China Lee na missa de 7º Dia e está registrada no novo trabalho da banda.
E por fim, não de costume neste quadro, isto é coisa pro BBN, mas aqui vai a letra pra quem quiser acompanhar:
ANJO
Eu preciso aprender
A não ter tudo o que perdi
A esquecer tudo o que vivi
Meu caminho para o céu
Se fechou eu me perdi
Onde estou? Onde devo ir?
Onde vou não sei mais sorrir
O que nos aconteceu
Me fez refletir
Tudo em mim lembra você
Já faz parte do meu viver
Eu preciso aprender a viver
A viver sem você anjo!
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Gostei desse negoço de fazer playlists pra acompanhar os post musicais. Muito mais interativo. Aui vão algumas músicas da banda, as duas primeiras são deste novo CD, as outras são mais das antigas:
Um comentário:
Eu já tinha ouvido falar nessa banda, mas o nome não me deu muita fé. Mas a história da música é interessante, sem dúvida.
Bah, minha necessidade de ir no oculista pode ser maior do que imaginava, mas eu não encontrei (e procurei, hein?), nenhuma playlist ou link para tal depois dos dois pontinhos ali, ó...
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